SlowYou, as histórias: Evelyn Nöel

Por 25 de outubro de 2016Beleza, Sustentabilidade

Evelyn Noël, 40 anos
Estilista

SlowYou, aLagarta + VERSE + meia ponta

Quando iniciamos a campanha SlowYou, a Evelyn foi uma de nossas primeiras escolhas de modelo. Isso porque a estilista e ex-bailarina tinha uma história importante pra compartilhar com as mulheres: sua experiência com o câncer de mama e seu renascimento após combater a doença.

“Fazem 4 anos que descobri o câncer e 3 anos e 2 meses que terminei o tratamento. Eu descobri em um exame de rotina, através da mamografia. Tinha 36 anos e esse exame ainda não era praxe mas, por sorte, talvez por ter sido a primeira vez que eu ia nessa médica, ela me pediu esse exame. Mesmo aparecendo essa possibilidade na mamografia, o médico ainda tinha esperança de não ser câncer. Fiz então uma biópsia, quando tive a confirmação. Não tinha o costume de autoexame mas o meu câncer era bem pequeno e escondido. Não era perceptível ao tato ainda.” – conta.

Muitas vezes, é a vida que nos impulsiona e precisamos passar por desafios que nos transformam por completo pra que a atenção seja voltada ao nosso próprio ser. Com a Evelyn, não foi diferente.

“Eu amo mais a vida. Percebo mais a beleza das coisas. Pequenas coisas me fazem feliz. Valorizo e agradeço todos os dias que estou viva”.

– explica em seu tocante depoimento. – “Sou muito atraída por cheiros e o contato com a natureza, seja pelo cheiro da chuva, a contemplação do dia, ou um banho de mar… São calmantes para mim. Também sinto muito prazer em me alongar e amo massagens porque percebo partes do corpo que, normalmente, são esquecidas”.

A consciência corporal, antes adquirida através da dança, hoje é peça-chave em sua rotina: “Acho que a consciência corporal me traz para o presente, para a percepção de mim mesma, mesmo entre tantas distrações de hoje em dia. Consigo me ouvir, me entender melhor, sair da superfície.” Algo que nunca mais será perdido, principalmente depois do longo período em contato com o câncer, que ameaça não só o corpo físico, mas também a mente. “É um processo muito doloroso emocionalmente. Eu decidi que ia lutar e ia vencer e, por isso, não me permitia fraquejar, nem por um minuto. Eu sabia que podia desmoronar, pois seria difícil levantar de novo. E ter que se manter nesse estado foi cansativo demais. Mas eu nunca me senti tão amada quanto nesse período. É uma quantidade de amor que transborda.” – relembra – “Trabalhei durante todo o tratamento. Só não ia no dia da quimio mas no dia seguinte, táva lá. Isso foi bom porque ocupava a minha cabeça. Tive poucos efeitos colaterais fortes. Nunca enjoava mas tinha dores musculares incríveis, o que se resolvia com um remédio tão ‘incrível’ quanto…”.

Cada pessoa reage de formas diferentes quando sua beleza se apaga, interna ou externamente. O feminino pode ser relativo, multifacetado, mas sua energia existe de forma muito particular em cada mulher – e faz muita falta quando desaparece. “Foi difícil perder a minha sobrancelha e os meus cílios, muito mais do que o cabelo. Isso eu resolvi com peruca. Mas os cílios! Quando eles somem, todos te acham estranha (inclusive você mesma) – apesar de não saberem que é pela falta dos cílios. E quando eles voltam? Todos comentam como você está mais bonita (apesar de continuarem sem saber que são os cílios). E você volta a se sentir uma pessoa, uma mulher. Esse sentimento, de não se sentir mulher, é aterrorizante, porque é um vazio. Te anula, te castra”.

O tratamento de Evelyn durou cerca de 9 meses. “O período de uma gestação.” – compara. E o que vem depois? Talvez uma pergunta que poucas se fazem, até que o depois finalmente chega.

“Tô em um processo de me redescobrir. Só voltei a pensar em futuro há pouco tempo e, isso inclui a sonhar também. Mas até hoje, quando toca aquela música “The dog days are over” da Florence and the Machine, eu desabo. Posso estar na melhor festa do mundo. Tudo me volta à cabeça e é excruciante”.

E quanto a um conselho? Depois de refletir um pouco, Evelyn disse: “Ah! Eu tenho um conselho sim. Um bem prático… Na sala de espera do oncologista, não fique ouvindo as reclamações e lamentos das outras pacientes. Contagia. E a verdade é que cada pessoa tem uma reação ou efeito colateral. Ficar comparando problema só vai te fazer mais mal ainda”.

“Se é para contagiar, que seja pelo bem, pelo bom”.

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Confira o editorial na íntegra aqui em nosso site.

aLagarta
Primeira emag feminina independente e colaborativa do Brasil. Uma eterna mutante, tem vida própria e vira borboleta toda vez que lança uma nova edição.
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