SlowYou, as histórias: Géssica Hage

Por 31 de outubro de 2016Beleza, Sustentabilidade

Géssica Hage,
fotógrafa

aL-SlowYou-07Uma foto é uma pausa, porém, tem vida. Assim acredita Géssica Hage – fotógrafa que tem como uma de suas principais paixões o registro do universo feminino. Colaboradora assídua da revista desde 2014, Géssica emprestou recentemente seu olhar pra campanha SlowYou.

Retratar a realidade de meninas e mulheres é sua especialidade. É bonito de ver a forma como observa e interage com quem fotografa. O contato com o que é real parece ser importante pra artista,  que compartilhou com a gente, com naturalidade, a experiência de sua tia com o câncer de mama: “Ela teve duas vezes no mesmo lugar. Na primeira vez, eu era muito nova, não me lembro. Na segunda, acho que foi menos pesado, e minha tia sempre foi tão forte; ela não deixa esse tipo de coisa abalar. Ela vai lá, acredita que vai ficar boa e fica boa. Não deixa de fazer nada que quer por causa disso.” – conta.

Seu processo criativo acontece entre palavras e intervalos em silêncio. E com muita concentração.

“Eu adoro tentar capturar os momentos em que a pessoa não estava pensando em posar, quando ela olhou pra baixo rapidinho, ou pro lado porque ouviu um barulho. Quando fotografo, eu acabo me concentrando muito, e acabo ficando mais quieta, mas durante uma foto e outra, gosto de parar, conversar. Acho que essa energia na hora de fotografar é muito boa, e poder ver essa energia como resultado final numa foto é muito gratificante. A fotografia que me encanta é aquela que, mesmo sendo uma pausa, parece que se move bem aos poucos, sem que a gente perceba”.

“Não precisa ser necessariamente uma imagem de alguém em movimento, mas sim uma imagem de alguém que existe, e está existindo pela aquela imagem; uma imagem com batimento cardíaco”.

E assim, o ritual orquestrado delicadamente por Hage vai tomando forma, enquanto não só as mulheres diante das lentes, mas também a própria artista, se entregam ao momento presente. E pra SlowYou acontecer de forma leve e sincera, tal intimidade se fez necessária. O contato com a energia feminina e aquele sentimento de apoio e respeito mútuo preencheu a sala. E então, tudo fluiu.

“Eu comecei me fotografando, e acho que isso acabou me influenciando muito durante meu desenvolvimento. – explica – É claro que as pessoas são diferentes, mas eu gosto do fato de eu me identificar de certa forma com minhas modelos. Acho que o universo feminino é tão cheio de possibilidades e amo poder entender um pouquinho de cada pessoa, e até de mim mesma, cada vez que fotografo uma menina diferente. As mulheres, principalmente, possuem muitas inseguranças, e é muito bom poder desconstruir essas inseguranças junto com elas. Muita menina já me disse que as fotos que fizemos ajudou muito na auto estima, que elas se acharam lindas, e é muito bom ver e poder fazer parte desse processo”.

Essa não foi a primeira vez que Géssica fotografou bailarinas. Seu contato com a dança, na verdade, começou quando era criança: “Eu fazia jazz quando era mais nova. Depois que me mudei de cidade, acabei parando. Mas sempre adorei assistir, e gosto muito de música clássica”.

“Tem algo na energia da música e da dança que  conecta muito com a fotografia. Sempre que fotografo algo relacionado à dança, sinto como se as fotos tivessem umas energia diferente”.

E, de fato, têm. Daí a eterna vontade – e o principal desejo de quem fotografa – de tornar algo que é efêmero, eterno.

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Confira o editorial na íntegra em nosso site.

aLagarta
Primeira emag feminina independente e colaborativa do Brasil. Uma eterna mutante, tem vida própria e vira borboleta toda vez que lança uma nova edição.
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