Gabriela Pinheiro: traçar e sonhar

Por 3 de outubro de 2016Arte

Conheci o traço de Gabriela Pinheiro através do meu irmão, que sempre dizia: “Você tem que ver os desenhos da minha amiga Gabi! São lindos!”, toda vez que trocávamos ideia sobre novos artistas n’aLagarta. Logo quando comecei a explorar sua arte, apesar de meu irmão a enxergar como feminina, enxerguei certa neutralidade. De fato, era diferente, uma mistura singular e  interessante.

Gabi traça linhas quase etéreas, que parecem que vão sumir num piscar de olhos, como um sonho. Linhas imperfeitas, que se desencontram e são pontuadas com um pouco de cor, que equilibram de forma sutil o conjunto das formas. Uma delicadeza torta, nada óbvia, que inclusive me lembrou um pouco os desenhos de John Lennon. Quis saber mais sobre ela.

Por email, Gabi respondeu sobre sua nova dedicação à arte e ao desenho, especificamente, e contou pra gente suas inspirações e como funciona seu processo criativo. Confira:al-blog-gabi-pinheiro-02Gabi, conte um pouco sobre você.
Tenho 23 anos e nasci e cresci aqui no Rio.  Sou estudante de psicologia, estou no 7 período. Fiz dois anos e meio de Design Gráfico, mas resolvi mudar. Muita gente levou um susto quando soube dessa troca, por acharem que design era a minha cara. Mas eu não estava satisfeita e senti que essa mudança era muito necessária (e foi)! Foi difícil no começo encarar essa ideia e recomeçar, mas hoje cada vez mais penso que fiz a escolha certa. Nada foi jogado fora, aprendi muito com tudo que vivi e com as pessoas que conheci no Design. No curso de psicologia, também estou aprendendo muito e está sendo um processo muito enriquecedor. Ainda não sei muito o que quero seguir profissionalmente, mas acho que pretendo encontrar uma maneira de conciliar a psicologia com a arte.

Você teve uma infância criativa? Quando foi que se apaixonou pela primeira vez pelo desenho?
Muito criativa! Acho que desde que me entendo por gente, sempre amei pintar, desenhar e inventar coisas! Lembro muito do dia que achei uma pilha de azulejos sobrando lá em casa e me divertia pintando cada um – até hoje tenho alguns guardados. Além disso, adorava catar e pintar pedras para dar de presente pra todo mundo e estava sempre pintando alguma telinha com meu mini cavalete, que eu amava! Sempre gostei de desenhar também. Teve uma época que cismei que ia vender meus desenhos no play do prédio, e não cobrava barato não (risos). Cada hora eu inventava uma coisa, foi uma época muito gostosa. Sempre amei o desenho, mas só esse ano resolvi investir mais nele.al-blog-gabi-pinheiro-01Como você definiria seu estilo, seu traço?
Essa  sempre foi uma questão difícil pra mim! Sempre falei “preciso achar um estilo, cada hora faço uma coisa diferente!”. Eu ficava incomodada, me cobrando em achar um estilo só meu, mas depois eu percebi que isso não é algo que controlamos e nem acontece quando queremos; simplesmente aparece depois de um longo percurso e muita prática.

Acho que eu pensava no estilo como um “produto final” e hoje o vejo mais como um processo em constante transformação.

Esse ano foi de muita experimentação, testei novos materiais, superfícies e temas. Meu “estilo” está em constante construção, acho que o importante é deixar fluir. Fiz meu Instagram há pouco tempo, mas é bem interessante perceber como meus desenhos foram mudando e se transformando ao longo desse ano. Acho que eles refletem muito questões pessoais e emocionais que estão acontecendo na minha vida. Pude aprender muito sobre mim desde que resolvi me dedicar mais ao desenho, é uma terapia!al-blog-gabi-pinheiro-03Quem são suas influências?
Sou apaixonada por dois artistas em particular: o Conrad Roset e a Tina Berning. Amo o trabalho deles. Mas eu também estou sempre em busca de novas referências, sigo muitos perfis de arte no Instagram e no Pinterest. Além de desenhos, gosto de me inspirar com fotografias, principalmente de corpo. Gosto, em especial, do trabalho do Klaus Kampert, os ensaios dele são incríveis e que me tocam muito.

Você pensa a solitude como um estado necessário para que o processo criativo flua? Como você lida com ela?
Pra mim, é algo que ajuda. É um processo muito pessoal, gosto de ir pro meu quarto, colocar música, acender um incenso e me entregar. Às vezes começo a fazer algo e no meio do caminho tenho outra ideia e fico assim, meio sem muita organização, testando tudo o que passa pela minha cabeça. Vou me frustrando com algumas ideias, me  empolgando com outras. Acho que eu fico um pouco acelerada, num ritmo muito meu, diferente de quando faço outras coisas. No final, meu quarto sempre fica de cabeça pra baixo, mas acho eu me entendo no meu caos.al-blog-gabi-pinheiro-04Você sonha muito durante a noite? Já se pegou desenhando enquanto dormia, ou acordou com uma ideia na cabeça e foi direto rabiscar?
Sonho demais! Às vezes me perco em tanta coisa doida que me vem em sonhos, mas acho que nunca aconteceu de ter uma super inspiração e acordar desenhando. O que acontece algumas vezes é eu ter uma ideia “do nada”, quando estou andando na rua, dirigindo, em alguma aula… Quando estou com meu caderno perto, coloco logo no papel, mas as vezes elas ficam mais um tempo só na cabeça, algumas se perdem e outras vão se transformando.
al-blog-gabi-pinheiro-05E os próximos planos? Conta pra gente pra onde você quer que seu traço voe; seus sonhos e ideais.
Nesse último fim de semana participei da Babilônia Feira Hype. Foi a primeira vez que expus minha arte e foi uma experiência incrível, tanto na exposição quanto no processo de preparação e criação dos desenhos. Gostei muito do resultado e novas ideias já estão borbulhando na minha cabeça. No dia 9 de outubro vou expor no Brechó de Varal, no Santê Hostel, em Santa Teresa. Vai ser um evento super legal, com comidas, bebidas, arte e roupas baratinhas! Estou empolgada com essas oportunidades que estão surgindo e quero aproveitar todas que ainda virão, pretendo expor em outros lugares e deixar fluir.al-blog-gabi-pinheiro-06Acompanhe o trabalho da Gabi através de seu perfil no Instagram, que está ficando cada dia mais lindo com todos os seus desenhos e experimentações. 🙂

Carol Lancelloti
Fundadora e diretora criativa da revista aLagarta e do coletivo absolem. Fotógrafa apaixonada, bailarina dedicada, capricorniana e cat lover.
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